24/07/2010
sanamento_chamadaO Brasil poderia economizar R$ 745 milhões em gastos com internações no Sistema Único de Saúde (SUS) e salvar mais de 1.200 vidas por ano se toda a população tivesse acesso ao saneamento básico. Essas são algumas das conclusões da pesquisa Benefícios Econômicos da Exp
ansão do Saneamento Brasileiro, divulgada na última terça-feira (20/7), pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo (SP).
Os pesquisadores mostraram também que a universalização da coleta de esgoto tem consequências diretas sobre a produtividade e o ganho dos trabalhadores. De acordo com o economista e coordenador do estudo, Fernando Garcia, nos municípios em que o acesso à rede de esgoto é de 20%, a renda média dos trabalhadores alcança R$ 885. Em cidades com acesso universal, esse valor se eleva para R$ 984.
Além de afetar a saúde do trabalhador e, portanto, sua produtividade, o déficit de saneamento prejudica o desenvolvimento econômico porque impede o crescimento de determinadas atividades que gerariam emprego e investimentos. É o caso, por exemplo, da indústria turística. ?Quem visita o nordeste brasileiro precisa encontrar praias limpas para que possa retornar e colocar mais dinheiro na região?, afirmou Garcia. Se todos os municípios brasileiros tivessem pleno acesso ao saneamento, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor de turismo teria um crescimento de R$ 1,9 bilhão, diz o relatório.
Segundo a pesquisa, a implantação de rede de esgoto se reflete no mercado imobiliário. Casas que contam com sistema de coleta têm seu preço valorizado em média 18%. Isso implica em aumento do patrimônio de famílias e regiões menos favorecidas.
Saneamento no Brasil hoje
- 57% dos brasileiros ainda não têm esgoto coletado. Mas a situação melhorou muito: em 1940, apenas 13% dos domicílios estavam conectados, direta ou indiretamente, à rede;
- De 2003 a 2008, houve investimentos de R$ 10,4 bilhões em obras de saneamento e 15 milhões de pessoas passaram a ter acesso à rede de esgoto;
- Para que o saneamento básico seja universalizado até 2025, os pesquisadores afirmam que esses investimentos precisam ser duplicados ou até triplicados;
- Jundiaí, cidade do interior paulista, é a primeira colocada no ranking do Instituto Trata Brasil*. 91,3% de sua população têm acesso a esgoto;
- Porto Velho está em último lugar. Apenas 2,1% das pessoas têm acesso ao esgoto e nenhuma parte dos dejetos coletados é tratada.
* Cidades com mais de 300 mil habitantes.
(Envolverde/Aprendiz)
Fonte: Ana Paula Severiano, do Aprendiz